Ética, moralismo e política

2007/Fevereiro/13, por Roberto Gorjão | read this article in English

Os resultados deste referendo fizeram-me sentir um pouco menos insatisfeito por ser português, devo confessar.

Para quem cresceu sendo o único aluno de toda a escola a não frequentar as aulas de Religião e Moral (cresci no Funchal), é um prazer sentir por uma vez que não se é minoritário e, sobretudo, ver derrotada a igreja católica, que optou uma vez mais neste referendo por exercer uma influência politizada. Este referendo é também um marco histórico no sentido em que remeteu definitivamente a igreja, em Portugal, para os assuntos da fé, restringindo a sua credibilidade política e, mesmo, em questões éticas. 11 de Fevereiro foi o dia em que oficialmente a ética se emancipou da moral neste país – Aleluia!

Para quem cresceu num ambiente politicamente monolítico, onde clero e governo comiam à mesma mesa e de porta fechada, é também um prazer ver políticos que apostam num moralismo falsamente piedoso, apenas porque julgam ser essa ainda a sensibilidade popular maioritária, espalharem-se ao comprido. Pensarão agora duas vezes antes de apregoarem as suas simpatias religiosas como argumento eleitoral!

Trocar a Madeira pelo Minho?
Infelizmente, a satisfação foi de pouca dura: bastou-me uma passagem pelo barbeiro para me lembrar de que trocar a Madeira pelo Minho não terá sido a melhor opção em termos de integração cultural…

Lá chegaremos! As coisas mudam… estão a mudar!

4 comentários sobre “Ética, moralismo e política”

  1. José Borges em 13 de Fevereiro de 2007 às 12:38 :

    Pois…realmente…mas sabes, os madeirences não sao mais que minhotos temperados com o sal do Atlântico e tostados brandamente pelos ventos quentes de Marrocos durante quinhentos anos. O aspecto é diferente, mas o sabor é igual!

  2. Roberto Gorjão em 13 de Fevereiro de 2007 às 13:40 :

    é vem berdade! lol

  3. nelio de sousa em 14 de Fevereiro de 2007 às 17:54 :

    Ora aqui está um valor acrescentado dos referendos: ajudar a traçar o mapa sociológico e cultural do país. Fica tudo à mostra. E ainda bem. É preciso transparência para depois ninguém andar a fazer-se passar por aquilo que não é. Há defensores do Não incomodados com as leituras feitas a partir do sentido de voto maioritário em algumas regiões. Alegam que se pretende colocar em causa a liberdade de escolha e as convicções das pessoas que votaram Não (… para evitar a análise). Os votantes do Sim não estão incomodados com as leituras… Mas, há razões para optimismo (paciente). O Sim cresceu mais de 10% na Madeira relativamente a 1998. Um pequeno passo para um madeirense, mas um grande passo no sentido do progresso e da modernidade.

  4. Margarida Fernandes em 24 de Fevereiro de 2007 às 21:01 :

    Precisamos de voltar aos tempos da 1ª República e pôr a Igreja no devido lugar. Sou pela liberdade religiosa, há pessoas que admiro que são membros da Igreja Católica, mas não admito que à custa da influência que têm junto das pessoas menos esclarecidas, alguns clérigos e seus apaniguados se sirvam desse poder para manipular o decisão dos votantes. A Igreja Católica tem todo o direito em defender as ideias que acha correctas mas não pode utilizar a mentira para as fundamentar.

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