Fátima Campos Ferreira conseguiu, esta semana, no seu último Prós e Contras
, – O Exame Final
– um verdadeiro milagre: o de, num universo de mais de uma centena de milhar de professores descontentes com as políticas ministeriais para o sector, não ter conseguido descobrir nem um destes para convidar para a mesa de debate do seu programa. Em vez disso, optou por colocar em “confronto” com a Ministra um ex-secretário de estado (naturalmente comprometido com as políticas do ministério ao qual já pertenceu, mas que mesmo assim, honra lhe seja feita, foi o único dos convidados que insinuou algum tipo de crítica) e dois presidentes de conselhos executivos, tão deliciados com os respectivos cargos e desejosos de os manterem que mais não fizeram do que prestar reverenciada vassalagem a toda e qualquer afirmação de Maria de Lurdes Rodrigues. A melhor descrição deste “debate” foi a que fez o professor de Seia que a dada altura interveio da plateia dizendo: “foi um autêntico beija-mão!”
Para além dos presidentes dos conselhos executivos (creio que erroneamente referidos como directivos) e do professor de Seia, Fátima Campos Ferreira entrevistou um professor reformado (também ex-presidente de um Conselho Executivo) – que se referiu de forma sensata ao desgaste psicológico e emocional que a cada vez maior degradação da condição docente e do modo como esta é vista pelo público tem introduzido no quotidiano da prática pedagógica –, uma professora de matemática, uma Encarregada de Educação, dois alunos e um representante sindical. A todos manipulou, chegando a fazer chacota e a desvalorizar as respectivas intervenções, como aconteceu com as dos dois alunos que não tinham uma crítica a fazer aos respectivos professores, antes elogiando o seu empenho e dedicação inclusive em horas de apoio não remuneradas: “pois, como estão no 11º ano e ainda têm o 12º pela frente, é natural que não tenham críticas a fazer!” Estranho é que Fátima Campos Ferreira não se tenha lembrado de fazer o mesmo reparo aos dois presidentes de conselho executivo, ambos ainda por cima de escolas envolvidas em projectos piloto do ministério… e, por isso mesmo, ainda mais dependentes do ministério para a respectiva aplicação e avaliação.
Nenhuma das questões importantes sobre educação acabou por ser tratada de modo efectivo, antes servindo as diferentes intervenções de pretexto para que a Ministra pudesse apresentar as suas justificações, num autêntico lavar-de-face que deverá agradecer a Fátima Campos Ferreira que tudo fez para que nada a pudesse perturbar:
No que diz respeito às condições da abertura do ano lectivo, Maria de Lurdes Rodrigues argumentou que não podemos esperar que tudo esteja pronto e perfeito para implementarmos reformas e mudanças no sector. Como se as condições locais não devessem ser analisadas caso a caso e a permanência em funcionamento de algumas escolas, até as alternativas estarem preparadas condignamente para receberem os respectivos alunos, inviabilizasse a reestruturação pretendida. A Ministra prefere, pelos vistos, que haja alunos a terem durante um ano inteiro aulas em contentores, ou que sejam obrigados a almoçarem nas suas mesas de trabalho com loiça trazida de casa, a gastar um cêntimo além dos seus orçamentos de contenção, e a Fátima Campos Ferreira não achou uma ponta de insólito neste tipo de prioridades.
Já no que se refere a estratégias pedagógicas e curriculares, Maria de Lurdes Rodrigues assumiu – pasme-se! – que nada pretende fazer, uma vez que as anteriores reformas educativas ocorreram há demasiado pouco tempo e não foram ainda avaliadas… A Ministra deu assim razão a Marcelo Rebelo de Sousa quando este, no último As Escolhas de Marcelo
, a criticou por não ter de facto um plano, uma visão de conjunto para a educação, e andar apenas a implementar medidas a eito, à medida que lhe ocorrem. E, no entanto, este é o cerne dos problemas do nosso sistema educativo, como poderia confirmar qualquer professor que tenha vindo a leccionar nos últimos anos: é no incrível desajustamento dos currículos às necessidades dos alunos, quer pelo número excessivo de disciplinas – em particular no 3º Ciclo – quer pela inadequação dos respectivos conteúdos, em particular nos cursos ditos de formação profissional, que residem as causas primeiras da desmotivação e falta de maior aproveitamento por parte dos nossos alunos. E, em vez de se favorecer a criação, em autonomia, de currículos locais, adaptados às vocações e necessidades dos diferentes meios sociais e culturais, esta Ministra tem vindo a implementar medidas cujo efeito é precisamente o inverso, como sejam a generalização dos exames nacionais e o estabelecimento de rankings que têm apenas em conta a quantificação dos resultados e não as especificidades e idiossincrasias que lhes deram origem. E, mais uma vez, Fátima Campos Ferreira achou muito bem e nada questionou!
Finalmente, após ter andado a cortar a palavra a toda a gente quando pretendiam referir-se ao Estatuto da Carreira Docente, dizendo que haveria oportunidade para debater este assunto na terceira parte do programa, acabou por permitir apenas uma discussão brevíssima desta questão fundamental, tendo sido o ex-secretário de estado, já em cima da hora, a colocar a única questão relevante à Ministra: “não acha que o ECD é uma peça fundamental na implementação de qualquer reestruturação do sector?” Antes disso, a Ministra teve oportunidade para brincar despudoradamente com o assunto, fazendo comparações inusitadas – “Nem todos podem chegar a Generais!” – e o próprio representante dos sindicatos perdeu uma oportunidade flagrante ao deixar passar como positiva o facto de esta reformulação da carreira docente, ao contrário do que acontece com outras carreiras, apenas prever dois estádios: o de Professor
e o de Professor Titular
. É precisamente no facto de existirem apenas dois estádios e da entrada para o segundo ser tão restritiva que reside a extrema injustiça deste processo de progressão que se diz querer premiar o mérito mas que mais não pretende do que poupar o orçamento de estado à custa da desvalorização da função docente. Como se não bastasse, Fátima Campos Ferreira conseguiu ainda rematar a questão, já depois de terminadas as intervenções sobre o assunto, como se afinal a opinião dela é que fosse a mais relevante de todo o “espectáculo” e a ela lhe coubesse tirar as conclusões, referindo-se desonestamente aos vencimentos dos professores portugueses como sendo dos mais altos da OCDE, “esquecendo-se” de referir que essas estatísticas se referem a valores obtidos após conversão por ponderação do PIB de cada país. O que isto quer dizer é que os ordenados dos professores portugueses são tidos como bons quando comparados com a riqueza produzida “per capita”, isto num país em que entre 1/5 a 1/4 da economia se processa reconhecidamente de forma oculta e por isso não faz parte das estatísticas oficiais a que a OCDE tem acesso. Aliás, esta questão dos ordenados foi uma das polémicas mais falaciosas levantadas recentemente pelos media. E a prova da falácia está em que, na mesma página de resultados estatísticos da OCDE da qual foi retirado o valor que coloca os professores portugueses entre os que auferem os ordenados relativos mais elevados da OCDE, está um outro, logo abaixo, com uma ponderação desta feita atendendo ao poder de compra que os coloca entre os de ordenados mais baixos. Mal andou a FNE ao permitir que um seu convidado levantasse esta questão na opinião pública sem o corrigir de imediato, bem como mal andaram, como já é habitual, a LUSA e restantes entidades jornalísticas que de imediato viram na confusão um “furo” jornalístico e se apressaram a dele tirarem dividendos sem a mínima preocupação de rigor ou honestidade! Algo que seria interessante seria fazer um estudo equivalente para os ordenados auferidos pelos jornalistas das empresas de informação públicas, como seja a RTP, comparando-os com os auferidos pelos jornalistas dos restantes países da OCDE (comparação devidamente ponderada atendendo ao valor do PIB per capita). Muito me surpreenderia se os respectivos resultados não fossem, esses sim, verdadeiramente “escandalosos”! Para quem não saiba, a acreditar nesta notícia do Correio da Manhã de 20 de Fevereiro de 2005, (onde pode também consultar os ordenados de outros jornalistas), o módico vencimento de Fátima Campos Ferreira ronda os 9.300€ mensais.
Resumindo, o “Prós e Contras” desta semana foi uma demonstração do pior que se pode fazer em jornalismo ou informação televisiva, que de exame final
não teve absolutamente nada, bem pelo contrário tendo contribuído de forma efectiva para a continuidade da mistificação da opinião pública que tem sido promovida pelo Ministério da Educação e, dessa forma, prestando um péssimo serviço ao país e a todos nós. Para quem afirma pretensiosamente, como o fez recentemente Fátima Campos Ferreira à revista Máxima, que “sinto uma grande frustração quando vejo que ainda não consegui sensibilizar realmente as pessoas a dar o seu contributo para a mudança social”, este foi um excelente exemplo de como a prática pode contradizer as declarações de intenções.
Sei que as coisas não mudam de um momento para o outro, sei que três anos não chegam, mas confesso que gostava que estivéssemos mais evoluídos. É urgente abanar as mentalidades, os portugueses estão presos ao imobilismo”, desabafa a jornalista da RTP.
Fonte: Revista Máxima em artigo de Cristina Azedo.
Fátima Campos Ferreira foi professora de História vários anos, no Porto, antes de tirar segunda licenciatura e dedicar-se ao jornalismo. É curioso que, no programa, nem por uma vez tenha feito referência à sua própria experiência. Seria também interessante saber o que a teria levado a abandonar tão promissora carreira… Afinal, bem paga e tão bem considerada socialmente como é, exercida com tão boas condições e com uma tutela tão dedicada e conscienciosa, que motivos tão fortes poderiam tê-la levado a procurar uma carreira diferente para o qual teve até de dar-se ao trabalho de tirar novo curso… Volta Fátima! Volta! Não estás perdoada, mas tenho a certeza de que és exactamente o que este Ministério gostaria de ver como protótipo do professor português!

Mais uma vez parabens!!!! Conseguiste pôr “preto no branco”…literalmente toda a indignação que senti ao ver o programa. E sintetizaste muito do que a classe docente vê e percepciona como ostensivo ataque, não só ministerial mas agravado pelo apoio imponderado e massivo dos orgãos de comunicação social que cada vez mais contribuem para a deformação da opinião pública acerca desta e outras matérias. Não deve estar longe o dia em que a náusea substituirá a curiosidade e deixarei de ler, ouvir ou ver notícias ou programas, ditos “informativos”.
Este programa só mostra a força que os professores não têm. Parace que afinal não há problemas na educação. Com tanto optimismo da ministra e todos os ilustres convidados nem se percebe qual a importância de agendar o assunto em tão conceituado programa. Se vai tudo tão bem no ensino para quê falar dele!
Há dias o pai de uma ex-aluna dizia-me sorrindente “Não sei porque é que os prpfessores se andam sempre a lamentar!”.
Com ajuda da “imparcialidade” de Fátima Campois Ferreira, em breve, muitos pais poderão ter uma opinião semelhante à dela…
O professor de Seia sou eu. E não estava à espera de poder falar porque a Fátima tinha-me dito que não haveria possibilidade. Disse 1% do que queria. Para quem quiser saber os outros 99, aqui fica o meu blog. www.joaotilly.weblog.com.pt.
Obrigado.
Caro João Tilly,
Obrigado:
- pela sua participação neste blogue;
- pela sua intervenção no “debate” do Prós e Contras
- pelo seu blogue, tão empenhado e corajoso.
Pois os profs portugueses ganham muito, só que tendo em conta o PIB do País? Entao queria o quê? que tivesse em conta o PIB da Alemanha? Tb eu, na minha profissão. Tambem tive profs e sei que ganham mais do que merecem. Uma enorme parte e não pequenas excepcões. Não fujam para argumentos batidos de 22 h de aulas e “n” (muitas!!) de preparação. O meu filho que tem 5 anos talvez, lá no intimo, já não acredite muito no Pai Natal. Vcs querem que continuemos a acreditar! Não lhes agradram as verdades, ou as ideias, da ministra? Pois… e olhe que não sou nem encapotada votante do PS, apoiante deste governo, ou coisa parecida. Mas irritam-me os profs moralistas, coitadinhos, que são dos que menos produzem neste país. Protestantes militantes, alguns dos quias nada mais fazem, ao que parece! HONRO as excepções que existem ( alguns dos meus profs) e que, proporcionalmente e só, são bastantes! Mas tb sei que são os mais “malandros e calaceiros” que mais agitam, protestam, insultam, blogam, escrevinham…! Essa é velha e já não conquista!!!!!
Ana Nogueira ( ex-aluna e mãe de filhos)
(n/ sei se há censura nest blog. Espero que não)
Como pode ver, não há censura neste blogue. Mas há algumas regras de elementar cordialidade (colocá-las-ei logo que tenha tempo em futuras páginas de apresentação deste blogue ainda a criar) e já eliminei de facto alguns comentários que continham insultos e expressões gratuitas de violência verbal não argumentativa. Não é, obviamente, o caso deste seu comentário, pese embora a insinuação final. Esta, a mim pessoalmente não me afecta em nada pois, enquanto fui professor (já não o sou) o meu trabalho esteve à vista de todos e foi sempre avaliado positivamente pelos meus alunos, colegas e até por comissões independentes em momentos de avaliação extraordinária a que me submeti voluntariamente.
Escrevo portanto com toda a liberdade e a convicção de defender o que é melhor para o meu país, para o sistema educativo e para as minhas filhas (ambas em idade escolar e em dois níveis distintos: básico e secundário). Escrevo também com a isenção de não estar a defender nenhum interesse pessoal, uma vez que, não sendo já professor, não tenho nada a ganhar nem a perder, pessoalmente, com o ataque a que tem vindo a ser sujeita a classe docente.
Em contrapartida, acredito que temos todos, incluindo a Ana Nogueira e sobretudo os seus filhos, muito a perder com as actuais propostas do ministério. Acredito que a Ana possa ter tido algumas más experiências que possam condicionar o seu julgamento (muitos de nós as temos, em todas as áreas de actividade, pois há com certeza maus profissionais em todas elas, infelizmente), mas sugiro-lhe que se informe tão completamente quanto possível acerca desta questão – fundamental para a nossa sociedade – antes de emitir juízos de valor apressados e, sobretudo, antes de se deixar levar pela propaganda do nosso bem amado governo que, ao acicatá-la contra o actual bode expiatório da conjuntura económica e social, na verdade a manipula e distrai de todos os direitos e condições que lhe vai subtraindo pela calada e de todos os desperdícios palacianos que continua a permitir e dos investimentos megalómanos que teima em querer levar a cabo.
Também lhe sugiro que se informe devidamente da natureza real do exercício da profissão docente, que é hoje considerada unanimemente, pelos profissionais de saúde (em particular os de saúde mental), uma profissão de grande desgaste, que leva inclusive a que cerca de metade das consultas nas áreas da psiquiatria e da psicologia sejam originadas por profissionais do ensino.
Roberto Gorjão (ex-aluno, ex-professor e pai de filhos).
Volto aqui apenas para esclarecer e pedir desculpa de algumas omissões, porque as suas conclusões, caro Roberto Gorjão, tão precipitadas, mas elucidativas, a tal me obrigam. Concluiu, só porque fui critica de alguns dos criticos, neste ou noutros espaços, que eu nada percebia do tema e me devia informar antes. Viu? É isto que se ensina nas escolas? É este o respeito que sabemos transmitir? E queremos depois ser respeitados?
1. Sei do que falo. Fui professora e sou professora, embora, por razões familiares, com exercicio suspenso há 3 anos;
2. meu marido é professor;
3. os meus amigos e o meu círculo de conhecimentos é, por via disso, marcado por ligações ao ensino.
4. Não me sinto traidora da minha classe, ao pensar o que escrevi; sou apenas muito exigente comigo e com aqueles que comigo sempre trabalharam; e não sou encarneirável, nem entro nessas guerras, meramente, corporativas que não me parecem compatíveis nem com o Portugal de hoje, e menos ainda com educadores a serem os protagonistas;
5. não entro em politiquice ou partidarite que, sabe, domina a maioria destas manifestações;
6. sou contra campanhas orquestadas, seja contra a ministra, uma TV, um jornal, ou uma jornalista, como tenho visto aí pela NET, onde basta colocar o nome e o BI e fazer:SEND! Acho que isso desvaloriza a nossa argumentação, e os nossos protestos. Com efeitos graves e perversos quando o protesto tem mais razão de ser; vulgariza-se a contestação e vulgariza-nos; diminui-nos perante a sociedade e as entidades junto de quem exigimos;
7. somos educadores e devemos dar o exemplo, até nestas pequenas coisas. Ser professor não é só ensinar!
8. Conheço, ou tomei conhecimento por terceiros, de quem são alguns que por aí escrevem a protestar. Bem melhor fariam se estudassem mais as suas àreas, fossem mais cumpridores nos seus horários, dialogassem mais com os pais e colegas e, principalmente, fizessem do ensino e da escola o seu centro de preocupações e que esse não estivesse na sede do partido ou dos sindicatos que certos partidos criam e dominam; não sou contra os sindicatos, sou sindicalizada. Mas não suporto que certos sindicatos para se protagonizarem ou aos seus dirigentes nos utilizem, me utilizem!
9. Claro que há bons e maus professores como em todas as actividades. Mas nós temos maior responsabilidade. Não nos limitamos a construir um parafuso, a ligar uma rede de energia ou a imprimir um livro. Nós formamos pessoas, personalidades, cidadãos- nós construimos a sociedade de amanhã. Por isso temos de ser exigentes. Com nós mesmos : com os nossos processos de trabalho, com a nossa dedicação, com a nossa disponibilidade. Se assim fôr as nossas reivindicações terão uma força que não carecerá de panfletos, manifestações e ruídos. Incomodará os que preferem a luta da rua! Eu prefiro a luta na escola e na sala de aula! É lá que ganho os meus alunos e as famílias e é lá que me dignifico e ganho o direito a exigir!
Vejam bem, sejam corajosos, isentos: - quem comanda as manifestaçoes, organiza os folclores de rua, ou na comunicação social, e subscreve os panfletos. “sei que não vou por aí!” Li e ouvi, que muitos professores críticos tiveram medo de ir ao programa dar a cara, porque temiam represálias do ministério. Acredito! Mas, e entre nós? Não receamos, tantas vezes, dizer o que pensamos no nosso seio, nas reuniões de professores ou de sindicatos, porque tememos as ofensas, os estigmas, as quase perseguições que são feitas por dirigentes sindicais e militantes partidários, a quem os contradiz? Não conhecem casos desses? Pois eu e todos os que conheço, conhecem-nos! Temos medo de nós próprios, no nosso meio. Ao que chegamos! Por isso escrevi o meu post anterior. Procurei fugir ao aprofundar destas questões, mas você obrigou-me a ser mais clara! Porque discutir os conteudos das reivindicações, vocês sabem melhor que eu, é, aqui na net, absolutamente impossivel. Aqui fazem-se lavagens ao cerebros, orquestram-se grupos, constragem-se comportamentos e comentários. E insulta-se sempre que tal fôr útil.
E é verdade: estou a defender os meus interesses pessoais, ao contrário do seu caso, como diz! Porque eu e a minha familia ainda vivemos desta profissão: PROFESSOR.
Ana Nogueira
Cara Ana Nogueira,
1. Não sou masoquista e sei o que custa a vida!
2. Não sou contra os sindicatos - não o disse, como tenta insinuar! (sou sindicalizada). Sou contra que se transformarem em sub-sedes partidárias e centros profissionais do protesto! Julgava que tinha sido clara!
Não gosto que adulterem ou desviem as minhas afirmações( esta e outras) para depois, retirarem ilacções indevidas e me acusarem do que não disse. Vê como eu tinha razão!
Por isso tb a net não é melhor lugar para estas discussões.
3. Se percorreu tanta escola e nada viu do que eu afirmei, aí sim, só lhe digo: andou noutro mundo!
4. A discussão da qualidade do ensino, do ECD e conexos na net são impossíveis, porque essas discussões têm-se “cara a cara”, conhecendo e sabendo quem são realmente o interlocutores, à volta de uma mesa, numa discussão técnica. Aqui - ninguem o garante e a maioria dos particpantes têm outros interesses que referi no post anterior. Só isso!
Na Net ficamo-nos por isto. Exactamente. Diz e desdiz e sei lá quem diz! É optima para breves trocas de opiniões e de informações. Não para discussão de um tema de fundo como é o ENSINO. Não sejamos redutores transformando o tema em simples questões parciais.
E pior, como disse antes: privilegia-se o insulto ligeiro, escudado no teclado e na distância para lá do monitor, a outros profissionais, de outras àreas, como li em posts anteriores. Acho isso execrável, para quem defende a sua própria dignidade e da sua profissão. Essa leveza, só porque discordamos de algo, é mesquinha. E na maioria dos casos desinformada, mas é fácil!
Um blog meu? E tempo, para alem da utilidade duvidosa? Deu para estes 2 posts, ontem e hoje, e foi quase excepção.
E para um ex-professor sinto-o muito engajado nisto. A sua nova profissão não o ocupa e preocupa? (Não tem que me dar satisfações, apenas pensei alto!)
Como lhe disse só suspendi a minha relação com o ensino por razões ponderosas pessoais. E acredite, com prejuízos vários a não ser não ter horários rigidos, apesar de trabalhar, mesmo, 9 a 12 h dia, para alem dos filhos, da casa, etc.
No Ensino não estou em qualquer topo de carreira, até porque os anos de serviço não mo permitiam.
E com o maior pedido de desculpa, permito-me terminar aqui a minha troca de opiniões. Os dias são curtos.
Cumprimentos
Não, a Ana não tinha nem tem razão: nunca afirmei nem insinuei que a Ana é contra os sindicatos, mas apenas contra o facto de estes protestarem e defenderem posições (o que aliás repete). Também não gosto que “adulterem ou desviem as minhas afirmações”. Mais: quanto a insinuações e ofensas sem fundamento ou explicação, o seu último comentário não fica atrás de ninguém.
Peço-lhe que em futuros comentários, caso existam, se cinja ao assunto em discussão, caso contrário serão recusados. Se tiver alguma acusação ou queixa a fazer a meu respeito ou a respeito de qualquer dos meus artigos, peço-lhe que seja directa e clara, explicando razões e fundamentos e que o faça na área de comentários do artigo visado, se for o caso.
Finalmente, estranho e surpreende-me grandemente que considere que haja assuntos, quaisquer que sejam, que só podem ser discutidos face a face ou à volta de uma mesa. De uma assentada, coloca em questão séculos de evolução humana.
Ana,
Cada um fala por si. Eu tenho habitualmente entre 22 e 30 horas lectivas. Some-lhe a preparação de aulas, de materiais, avaliação de provas e trabalhos, reuniões, coordenação de actividades como clubes, e verá que com facilidade se fazem até mais que as 35 horas consagradas na Lei. Além disso, não compare 6 horas a dar aulas com 6 horas a atender a um balcão, por exemplo. Tenho ambas as experiências e sei onde é maior o desgaste.
Os “malandros e calaceiros das manifestações” são pessoas que passam a vida separados dos seus filhos e cônjuges, a viver em sótãos alugados, a serem diariamente agredidos moral e fisicamente, e agora, graças a pessoas como as do actual Governo, e a pessoas como a Ana, a serem ainda mais desprezadas e mal-vistas.
Sugiro-lhe que tenha vergonha e ganhe juízo.
Carlos Coelho
esta Ana..no minimo é suspeita…deve ser uma lambe botas…queres um tacho oh Ana??