As últimas declarações da Ministra M.ª de Lurdes Rodrigues reflectem uma vez mais a sua tendência para distorcer a realidade e inventar não importa o quê para justificar os seus actos.
A greve terá consequências muito prejudiciais para os alunos, sobretudo para aqueles que terão exames a partir da próxima semana
Fonte: Público online de 14 de Junho.
Esta observação é um disparate absoluto pois a Ministra sabe perfeitamente que a generalidade dos alunos que vão fazer exame já não se encontram em aulas, de acordo com o próprio calendário oficial estabelecido pelo Governo e proposto pelo M.E.. É uma rematada mentira destinada uma vez mais a desacreditar os professores… muitos dos quais, apesar disso, combinaram com os seus alunos aulas de apoio, para preparação para os exames, de forma não remunerada!
Há sindicatos capturados por partidos e que têm uma agenda que não é a educação. […] Estava a falar da Fenprof
Fonte: Público online de 14 de Junho.
Esta tentativa de imputação da greve e da generalizada insatisfação dos docentes a agendas partidárias é pueril e faz pensar que a Ministra está mais desesperada do que aquilo que nos quer fazer crer. Mas é também um jogo perigoso pois os professores representam um elevado número de eleitores (nomeadamente de eleitores do PS) e têm ainda, apesar da campanha de descrédito lançada pelos governos, um peso não menosprezável na formação da opinião pública. É o que se chama um tiro no pé!

Essa dos professores eleitores não me parece um bom argumento. Se me permite, vou um pouco mais longe. O Estado, como entidade à qual pretencemos, exige, para subsistir, uma existência acima dos interesses individuais, e deve ser olhado como uma entidade que exige respeito. Para este Estado se legitimar não precisa só de ser, também precisa de parecer. Feliz ou infelizmente, o Estado comanda a educação, controla a educação desde sempre com visível predomínio face a outros poderes. Neste sentido, é do interesse do Estado servir-se da educação para se promover. Aqui está o verdadeiro problema. Ao denegrir (apesar de considerar algumas medidas acertadas) e promover o insucesso do professor, promove também o insucesso do Estado. Caminhamos para uma situação nada positiva: o cidadão mais duvida do estado. Qual será o seu futuro?
O seu argumento tem toda a pertinência e é absolutamente justo: o Estado perde credibilidade e força quando a Educação as perde. Todavia, os Governos não se identificam com o Estado e têm-se dele demarcado ardilosamente desde que pegou de moda culpar os executivos anteriores por todos os males nos assolam. O Governo tem-se procurado assumir como o redentor do Estado e as suas estratégias promocionais visam, como sabe, afastar críticas e responsabilidades, atribuindo-as a outros grupos e organizações, como seja o dos professores. Se o Estado se fragiliza nesse processo, o Governo não se importa pois crê sair reforçado. E pelos vistos, a julgar pelas sondagens divulgadas ontem pela Marktest, sai mesmo (!???), o que me deixa francamente desiludido e preocupado.
Concordo. Sempre se viu a governação como luta de poderes e não como serviço. Caminhamos para uma situação que já se havia verficado em Inglaterra. Aqui os professores são uma classe empobrecida, auferindo salários muito abaixo das suas qualificações motivado, segundo creio pela ausência do que os economistas chamam de poder de escassez. Isto é, como houve uma massificação do ensino, houve também necessidade de formação de professores. Resultado: excedentes! Obviamente que, perante tal estado de coisas, os sucessivos governos, usufruiam de um poder de negociação muito maior que os professores, baixando consideravelmente as condições dos docentes. Perante isto, verificou-se um abandono generalizado de docentes do ensino público e a consequente proliferação de professores sem formação adequada. Só que eles têm os colégios… Eis o que se espera nos próximos anos. Tivemos há uns anos atrás uma oportunidade de ouro dos professores criarem a sua própria ordem. Se tal tivesse acontecido estariamos numa situação diferente…